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Minha experiência com meditação - 2

Boa noite, gente! Queria dizer que terão vários posts sobre minhas experiências com a meditação, formando tipo uma série aqui no blog, com o intuito de através da subjetividade e individualidade do meu relato, algo possa ser generalizado para trazer vocês mais próximo dessa prática, incentivando quem gostaria de meditar e aproximando sobre questões acerca da espiritualidade. Pra quem não viu o primeiro post é só clicar aqui.


Hoje vou contar sobre o que aconteceu durante a minha meditação do dia 12/10/2016.
Era uma quarta-feira de feriado, mas o dia das crianças nunca mais foi o mesmo pra mim desde os 6 anos de idade. Há 15 anos atrás, presenciei um divisor de águas em minha vida: a morte da minha avó materna. Não vou contar detalhes, mas esse episódio me fez amadurecer absurdamente e o dia das crianças deixou de ter o toque infantil... Enfim, nessa quarta, queria meditar e até mandar energias pro espírito da minha avó, mas foi muito além disso. O fator da morte dela não foi o que mais recebeu atenção e sim, o resgate do toque infantil que esse dia traz.
Acendi algumas velas pelo quarto e um incenso que dizia incentivar a paz interior. Alonguei meu pescoço, ombro e braços. Respirei fundo e me esticava para trás. Soltava o ar e me encolhia pra frente, sentido o meu diafragma relaxar e contrair. Sentei numa posição confortável, focada em minha respiração e não havia separado um mantra. Apenas esperei minha mente trazer o que ela tivesse vontade e mais uma vez me irritei com a minha falta de concentração.
Parece que em todo início de meditação, fica difícil desacelerar o fluxo de pensamentos. Por isso é importante focar na respiração. Respiração é ato de vida e requer calma e profundidade, coisa que no nosso cotidiano não há espaço, por isso nossa respiração costuma ser curta e acelerada. Acelerar a respiração é perda de vida. A gente nem se percebe que acelerando a gente faz o tempo se esvair e nem nos damos conta dele. Quando respiramos como deveríamos respirar, o tempo flui num outro ritmo, a vida ganha um outro contorno.
Pois bem, já focada em minha respiração e entrando nesse ritmo mais desacelerado se inicia um novo impasse: o ego.
O ego não quer perder o controle. Para Jung, o ego é o centro da personalidade consciente, mas é um complexo que pode ser dissolvido. O Self é o centro da personalidade total, ele é a totalidade, ele é o si mesmo, ele é a essência. Na meditação, a nossa consciência se rebaixa, portanto, o ego vai perdendo seu controle da consciência e o Self vai ganhando mais espaço em nossa mente, corpo, alma e espírito, pois ele chega em tudo, ele é tudo, ele é a inconsciência e a consciência, ele é o que somos e o que rejeitamos em nós, ele é Deus que existe em cada um.
Nessa briga pelo controle, minha mente retomou algo que havia acontecido na segunda-feira e havia ferido meu ego. Uma pessoa numa função superior a mim, me disse que eu havia sido petulante. Fiquei curiosa pra saber em que situação eu havia sido petulante pra que não fizesse mais, pois nunca havia sido minha intenção. A pessoa riu, e entre risos me disse: “pelo jeito que você entra na sala”... Pedi desculpas e fui embora.
Claramente isso não fala sobre mim, mas sobre ela. Algo em mim despertou ou lembrou algo que ela não gosta, mas que não tem nada a ver comigo. Ninguém nunca havia usado esse adjetivo pra se referir a mim. Isso não fazia parte de mim. Mas, feriu meu ego naquele momento. E em minha meditação, a cena se repetia. Então, visualizei a cena mais uma vez, porém mudando o desfecho. Olhei nos olhos dela e em vez de pedir “desculpa”, disse “eu te perdoo. ” E repeti essa frase até que eu realmente houvesse a perdoado e isso não fosse mais um problema. Quando finalmente liberei o perdão, a cena mudou.


Eu me vi criança, num lugar deserto e cheio de pedras. Me vi sozinha. Me aproximei de mim mesma, mas era muito difícil olhar nos meus olhos de criança. Eu era tão pequena, com um óculos redondo e cabelos castanhos curtos, extremamente tímida e meu Deus, como eu me sentia sozinha. A temática era essa: a solidão.
Hoje eu gosto e aproveito minha própria companhia, mas custou pra que isso acontecesse. Depois da morte da minha avó, que ficava comigo enquanto minha mãe trabalhava e estudava, eu tive que me virar pra ajudar minha mãe. Enquanto ela trabalhava, eu ficava em casa sozinha, fazia meu café, ajudava a limpar a casa (do meu jeito de criança, me sentia a Cinderela), aí ela voltava no almoço. Com 8 anos, já ia pra escola a pé sozinha. Chegava lá e sofria bullying por ser magra demais, branca demais, nerd demais, estranha demais, peluda demais (tinha a sobrancelha grossa e o braço peludinho, me chamavam até de macaco). Enfim... Me vi ali, e queria muito dizer tanta coisa que ninguém havia me dito na época. E disse. “Não é culpa sua. Você é linda. Eu te amo. Eu te perdoo e perdoo todos que não acreditavam em você.” Depois de dizer, eu pude finalmente me olhar nos olhos. Eu não era nada daquilo que me diziam. Me debulhei em lágrimas. Lágrimas de alívio por ter me encontrado e superado isso. Lágrimas de amor por mais um passo dado no processo de autoconhecimento que me leva ao amor próprio. Lágrimas de saudade por ter me Reencontrado. Vi ali minha criança interior. Vi ali uma manifestação do meu Self, da minha essência. Nesse momento, havia encontrado meu mantra dessa meditação. Repeti várias vezes “encontre sua criança interior e se conheça, se perdoe, se ame.” E quando finalmente me amei ali, a cena mudou.
Me veio à cabeça todas as vezes que eu viajava e me dividia entre duas famílias. Porque tipo, minha mãe e meu pai já estavam separados quando nasci, mas a família da minha mãe vivia em Minas e a do meu pai, em Goiás. Então desde uns 2 anos de idade, eu vou e volto entre uma família e outra e isso deixou grandes marcas em mim. Mas o interessante foi perceber que o meu primeiro amor (amor de família) foi marcado por idas e vindas e logo a cena mudou pra todas as vezes q eu viajei pra ver meu ex-namorado (meu primeiro amor conjugal). Um namoro de 4 anos à distância também marcado por idas e vindas. Assim, compreendi mais uma coisa sobre mim e sobre minha forma de amar.
Depois disso, a cena mudou. Já havia se passado uns 40 minutos de meditação com esse turbilhão de sentimentos e insights. Nesse momento, eu pude finalmente conversar intimamente com Deus e mais uma vez fui inundada pelo seu amor. Quanto mais você se procura dentro de si, mas você está buscando à Deus. O amor dele me transborda e eu choro de felicidade. Meu corpo esquenta, minha alma se sente abraçada, envolta, envolvida nesse amor. Esse amor que é energia, que é vida, que é consciência. Nessa conversa com Deus, entre muitas coisas, uma delas foi eu perceber que há dentro de mim um espírito que veio de Deus e pra Deus retornará. Vim dessa energia e pra ela meu espírito deseja estar, ser, existir. Meu espírito sente saudade de Deus e isso é espiritualidade. Espiritualidade é essa busca pela totalidade, pela integração entre o físico, o mental e o espiritual. É cuidar da nossa energia, é estar consciente da nossa energia, é contagiar o mundo com essa energia.
A meditação acabou. Sai do quarto, abracei minha amiga e disse que a amava, porque era tanto amor em mim que eu precisava passar um pouco pra alguém. E com isso, me senti energizada.


Tá, agora a parte que interessa vocês. O que podemos tirar dessa experiência e generalizar para a vivência de vocês?
  • ·         Se alongue antes de iniciar a meditação, você precisa estar confortável em seu próprio corpo. (já disse isso no último post, mas é sempre bom relembrar);
  • ·         Foque na sua respiração e tenta fazê-la ser diafragmática;
  • ·  Não é pra parar de pensar, pense o que tiver que pensar e se perceba;
  • ·         Seu ego não quer perder o controle, ele trará algo em sua mente sobre ele. Você pode tentar resolver essa questão em sua própria mente, o que pensamos também é realidade e pode nos ajudar a superar coisas;
  • ·         Libere o perdão pra quem você precisa perdoar. Se sentir magoado é uma dor que você carrega sozinho e a pessoa que te feriu muitas vezes nem sabe, então não viva com esse peso;
  • ·         Cada vez que você “soluciona” uma questão, uma nova cena surgirá e parece que você vai gradativamente chegando a níveis mais profundos, não tenha medo de mergulhar em você;
  •          O autoconhecimento te leva ao amor próprio
  •          Existe a essência de Deus em nós e ela é o nosso Self. Deus deseja que sejamos o que temos que ser por essência. Seja você, mas pra isso se conheça e se conhecendo você também buscará à Deus;
  •          Quanto mais você se conhecer, menos o que as pessoas falam sobre você importa. Principalmente quando elas dizem o que você não é. Por isso você precisa ter claro o que você é, para não se afetar tanto com a opinião do outro sobre você;
  •         Observe padrões na sua vida que te levaram a ser o que você é hoje. Se tornar consciente desses padrões te dá o poder de escolher mudar, viver na inconsciência sobre esses padrões você vai vivendo e nem percebe;
  •          Deus está aí pra quem quiser, pra quem tem fé (e até pra quem não tem) e o amor dele é incondicional porque Deus é energia de amor, de vida, e luz, de consciência, de totalidade e é o Universo.
  •          Não tenha medo de falar com Deus, busque intimidade com ele/ela;
  •     Busque encontrar sua criança interior;
  •          Se amar não é egoísmo, o ego estava rebaixado pra que eu aprendesse tudo isso sobre mim. Se amar é se conhecer e se aceitar como é;




Espero que tenham gostado e que algo tenha te ajudado aí para as suas futuras meditações.
E ah, farei um post só sobre a repercussão desses meus posts de meditação na vida das pessoas para vocês verem como a generalização está funcionando num nível individual, já tenho alguns relatos incríveis pra compartilhar em breve. Então, quem tentar meditar lendo aqui ou quem sentir algo e quiser me falar, fique à vontade pra me procurar em qualquer rede social: Twitter Facebook Instagram
Você é importante!
Bjo, até a próxima.

Evy
 
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