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Jogo das perguntas


Oi gente, como vocês estão? Pra quem é mais meu amigo e já frequentou algum dos meus rolês sabe que eu adoro o jogo das perguntas. É uma brincadeira simples que inventei nas férias e é o seguinte:
- Todo mundo é obrigado a perguntar.
- Todos são obrigados a responder, exceto quem fez a pergunta.
- Pode ser qualquer tipo de pergunta.
Desse jogo já saiu tanta coisa hahah de tópicos filosóficos e grandes questões sobre o universo à coisas banais ou que falassem de sexo. 
Inspirada pelas coisas super diferentes e interessantes que pude conhecer dos meus amigos, decidi saber um pouco mais sobre o que vocês gostariam de perguntar pra mim.
Por isso pedi pra que vocês fizessem perguntas nessa foto e que agora responderei. Obrigada por todos que tiveram questões e se mostraram curiosos!! Bora lá!
Vou dividir em categorias pra não ficar tão confuso e com uma ordem nas perguntas que dê mais sentido a tudo que responderei.

ESPIRITUALIDADE

1) Quando e como vc moldou esses seus princípios de espiritualidade? Conta tua história de vida também (focada na espiritualidade) ❤
Autora da pergunta: @letspace
Bom, muito obrigada pela sua pergunta maravilhosa! Acho que primeiro vou contar a história da minha vida espiritual pra depois entender como e quando moldei meus princípios de espiritualidade. 
Se for pra dizer quando começou, eu diria: desde que me conheço por gente. Existe algo muito simples que me acompanha desde sempre, algo sutil que eu vejo em qualquer momento e em qualquer lugar que é: energia em movimento. Toda vez que tento explicar para os outros como é isso, é como se eu vesse pontinhos de luz que se movimentam imprevisivelmente, como se fosse um céu estrelado, um pequeno universo que se movimenta e manifesta há todo momento. 




Mesmo quando eu olho para o que está parado, o meu olhar foca no objeto e sempre está lá, a energia pairando para uma direção indefinida.  
Quando eu era criança e tentava explicar para os outros nunca me davam muita bola e achavam que era porque eu devia ter olhado muito tempo pra luz ou simplesmente não sabiam explicar e mudavam de assunto. Então, eu acabei não contando pra mais ninguém por um longo período de tempo justamente por ninguém entender. 
Eu só fui entender que via energia há alguns anos atrás, numa vez que acordei de madrugada e vi o quarto inteiro inundado por esses pontinhos de luz em movimento e de repente tudo aquilo veio até mim e eu me senti parte do Todo. Me senti completamente cheia de vida, meu coração acelerou e meu corpo inteiro adormeceu. Eu só conseguia chorar de alegria, de pura gratidão por me sentir assim. Minha cabeça estava a milhão, eu me vi em várias situações da minha vida em que eu simplesmente só reparava nessa energia, a contemplava e não entendia. Isso tudo vinha em flashes numa velocidade impressionante. Depois eu me via falando de como a minha imagem de Deus era de Universo e Energia. Me veio todas as vezes que eu tentava explicar o que era que eu via e as minhas explicações de "parece um universo se movimentando, pontinhos de luz que parecem estrelas". Me veio a lembrança de eu fazendo minha tatuagem de "child of the universe" no meu aniversário de 20 anos. A inspiração para essa tattoo veio desse trecho do poema Desiderata de Max Ehrmann:
"You are a child of the universe,

no less than the trees and the stars;

you have a right to be here.

And whether or not it is clear to you,

no doubt the universe is unfolding as it should."

Tradução:
Você é um filho (ou criança) do universo,
não menos que as árvores e as estrelas;
você tem o direito de estar aqui.
E mesmo que não esteja tão claro para você,
Sem dúvidas que o universo está se desenrolando como deve.  

Eu quis tatuar minha essência de ser criança do Universo, filha de Deus. Assim como vejo que todos são. E naquele momento tudo fez sentido. Eu via a energia essencial que estava literalmente em tudo a todo tempo, de um jeito lindo, sutil e que me acompanhava desde sempre. Ela estava em movimento constante porque o movimento é inerente à vida. Isso acabou dando muito conteúdo para a minha teoria, que não entrarei em detalhes agora, mas um dia com certeza eu explicarei certinho.
Hoje em dia, quando medito, essa energia se intensifica e a direção fica mais ordenada, vindo de encontro a mim, e consequentemente me deixando mais energizada. 




Bom, esse foi um ponto. Outra coisa é que dependendo da situação eu consigo ver um contorno em volta das pessoas, já me disseram que eu vejo a aura, mas ainda não tenho treino para ver cores.
Nasci já num lar de pais separados, então me dividia entre as duas famílias. A parte paterna é católica e me batizou quando eu devia ter uns dois aninhos. Tem um relato da minha avó paterna, que é uma mulher incrível e que eu herdei meu lado intuitivo, que quando eu tinha uns 3/4 anos, estava brincando na fazenda e lá tinha um riachinho que passava perto de casa e de largura devia ter uns 40 cm, as bordas eram de cimento. Diz minha vó que eu perdi o equilíbrio e caí de costas nesse riacho. Eu iria bater ou a coluna ou a cabeça na borda de cimento porque era muito estreito. Quando ela achou que o pior estava por vim, ela viu que eu fui virada e cai de lado (só que ela viu o jeito que eu caí e isso era impossível). Ela fala que nesse dia ela sentiu meu anjo da guarda me virando e sempre me conta desse fato emocionada.
A parte materna, especificamente minha avó, me levava na igreja evangélica quando eu tinha uns 5 anos. Então, eu tive uma base cristã. Me identificava mais com o protestantismo. Minha igreja chamava Casa de Oração e o que eu achava legal era que eles incentivavam as artes, então tinha grupo de teatro, grupo de dança, etc.. Minha relação com a igreja em si era muito boa, eu gostava de pegar a bíblia sozinha e ler desde muito pequena. Pode parecer estranho, mas eu orava todos os dias pedindo proteção para minha família e desejando que o amor de Jesus estivesse presente em nossas vidas. Com 9 anos eu entrei para o Ministério de dança, eu era a mais nova do grupo, e nossa líder focava bastante na importância de buscarmos nossa própria espiritualidade e intimidade com o divino. Talvez seja isso que realmente mudou minha vida e me trouxe o despertar da consciência. Quando eu entendi que espiritualidade era uma relação, onde eu precisava realmente investir minha energia, tempo e um momento de introspecção para cada vez mais estreitar o meu laço com Deus e nos levando a um maior grau de intimidade, tudo mudou. Todos os dias eu tirava uma hora para ter meu momento com Ele e aos poucos as experiências foram ficando mais intensas. Tive visões de outras dimensões (hoje eu entendo isso, na época não sabia dar nome), meu corpo físico estava lá deitadinho no chão enquanto meu espírito vagava pelo universo. Num sentido de arrebatamento, eu estava em outros lugares. Sempre recebia muita informação e amor em imensidão. Vi uma cidade de casas de cristais e ruas de ouro. Vi uma sala com um mar de vidro que por baixo dele dava pra ver vários planetas, inclusive a Terra. Vi seres de luz preparando um banquete numa mesa que era impossível ver o fim. Vi um batalhão de anjos em frente a um portão enorme, que ainda estava fechado, mas a ordem era de "logo o portão se abrirá". Enfim, vi muitas coisas de outro plano. Isso fortaleceu muito minha relação com o divino. Às vezes eu chamava minha mãe para entrar no quarto quando tinha algo lá e ela se arrepiava inteira porque sentia a presença... Quem é mais próximo de mim sempre tem a oportunidade de vivenciar certas experiências espirituais. Já estão acostumados, até mais do que eu hahaha





Quando eu dançava na Igreja, as pessoas me diziam que parecia que eu flutuava. Eu me entregava. Não estava ali pelas pessoas, eu estava ali imersa na presença de Deus. Eu dançava para louvar e adorar algo maior do que eu. À partir daí, as pessoas já sabiam que eu era uma criança diferente e bem espiritualizada.
Houve um dia, que eu visualizei minha líder de dança com roupas cinzas e muito triste. A imagem foi tão forte que eu não conseguia parar de chorar e fiz minha mãe me levar até a casa dela. Chegando lá, eu contei o que tinha acontecido e ela começou a chorar dizendo que naquele dia ela achava que havia perdido um bebê. Nós nos consolamos e oramos juntas. Mas eram coisas desse nível...
Mas a maior experiência espiritual da minha infância aconteceu quando eu tinha uns 11/12 anos. Eu acordei de madrugada e na parede ao lado da minha cama estava refletido a imagem de um pássaro com as asas abertas. Fui olhar para a janela pra saber de um estava batendo a luz que fez refletir isso e lá estava ele: um anjo de muita luz na beira da minha cama. Ele se identificou como Arcanjo Miguel e perguntou: "por que você não está usando sua espada?". Eu sabia qual era a simbologia da espada para o cristianismo, que significa "a palavra", mas paguei de louca com o anjo hahaha e perguntei "que espada??". Ele me disse que eu sabia o que era e que havia um recado pra mim: Isaías 42:1. Aí acabou a visão e eu voltei a dormir. No outro dia acordei tipo QUE QUE ACONTECEU?? E achei que tivesse sido só um sonho. Mas, quando eu levantei, minha bíblia em cima da cama estava aberta em Isaías 42............. Não tinha nem como duvidar.
Isaías 42:1 "Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios."
Aí tá né... Continuei minha vida. E vocês acreditam que 10 anos depois, que é hoje, caiu um livro na minha mão esse ano, que eu até cheguei a comentar no último post do proteção espiritual, chamado Anjos caídos o que você precisa saber e que entre outras coisas, conta de como Arcanjo Miguel está chamando seus >eleitos< (assim como estava no versículo que ele me deixou) para serem >instrumentos de canalização< da vontade de Deus (que é justamente o que eu dizia que eu sentia que era meu propósito aqui na Terra). Acreditem se quiser hahah a confirmação veio 10 anos depois. E hoje em dia eu uso minha palavra mais do que nunca, não é a toa que você está lendo o que estou escrevendo agora e de alguma forma essa energia está chegando até você. 
Tenham em mente que quando eu tinha 12 anos, meu conhecimento era bem limitado sobre essas coisas... Eu usava mais da minha intuição para interpretar as coisas e aí hoje que eu estudo sobre isso, tudo se confirma e me valida. É um sentimento incrível! Mas ao mesmo tempo, traz MUITA responsabilidade. E ah, uma coisa muito importante: com 12 anos eu me mudei de cidade e depois disso acabei me distanciando da religião. Com 13 anos eu já não me considerava mais evangélica. E à partir de os 16 eu realmente me defini como sem religião e continuo assim até hoje. Não me prendo a nenhuma em específico, mas não desmereço ou duvido de nenhuma. Pelo contrário, me interesso pelo o que cada uma tem de bom para oferecer. Mas a minha religião é a minha própria espiritualidade, a minha própria ligação com o divino.
Fui procurar imagens de Miguel pra ilustrar aqui pra vocês e em quase todas ele está com sua espada, assim como ele me disse que eu deveria usar a minha. Esse arcanjo é identificado como guerreiro de luz e o raio azul.


Bem, o que tem de mais atual em relação à minha espiritualidade é que conheci uma escola de magia e fui em dois sabbats lá. É muito legal como eles lidam com os quatro elementos da natureza, as leis herméticas, simbologia e toda a busca de evolução interior. Tenho aprendido muito com o pouco que pude estar lá, em contato com o espaço e com as pessoas. Não é vinculado a nenhuma religião e tem gente de todo os tipo.
Muita coisa tem acontecido e eu pretendo ir postando aos poucos aqui pra vocês assim como faço sobre as meditações, até porque muitas dessas experiências atuais acontecem nas meditações mesmo. Vários acontecimentos ultimamente tem envolvido a chama violeta de Saint German, patrono da era de Aquário, mas falo mais disso depois. Além disso, tem minha teoria que está em plena construção e cada dia recebe um pouco mais de informação que me vem ou que aparece pra mim nos livros de física quântica que estou lendo para o meu TCC, nas pessoas que eu conheço pelas sincronicidades da vida ou em posts sobre espiritualidade de outros blogs. Tudo está caminhando... 
Para terminar a pergunta, acredito que moldei meus princípios espirituais primeiramente pela minha base cristã, então eu tive um ensinamento voltado ao amor e a ética bem fortes (minha ex-igreja não era radical nem pregava o ódio como muitas que vejo por aí). Mas o que realmente me moldou e me modificou por completo foram minhas próprias experiências espirituais e o conjunto de sincronicidades que acontecem e eu só consigo agradecer a Deus/Universo por como tudo está acontecendo. Minha vida é muito loucaaaaaaa, eu sempre me surpreendo hahah quem convive comigo sabe! Andresa que o diga!! (amiga que mora comigo, já falei dela aqui: como é morar com a minha melhor amiga.


2) Como começou o seu despertar espiritual? Ou vc sempre foi desperta pra espiritualidade? 
Autora da pergunta: @mistica.mente

Então, acho que a resposta anterior já responde muita coisa... Acho que sempre fui desperta pra espiritualidade, mas talvez o que fez despertar minha consciência aconteceu ano passado. Quando eu terminei meu namoro de 4 anos porque nossas vidas seguiram caminhos diferentes e não estávamos mais no mesmo timing, eu me vi sozinha e não sabia o que fazer com tanta energia (que antes era direcionada ao namoro). Com a terapia, fui tentando descobrir o que eu amava em mim porque eu não sabia ao certo como me amar. Comecei a namorar bem cedo, tinha 17 anos, e só acabou quando eu tinha 21. Então por muito tempo tinha alguém ali pra me amar e eu não precisava pensar tanto no que eu gostava em mim... até aquele momento. Esse processo não foi fácil e eu ainda continuo nessa jornada, mas a primeira coisa que eu consegui perceber que eu gostava era o meu lado metafísico. Aquilo que não era concreto... Minha inteligência, meu jeito de pensar, meus ideais.. E por aí começou um profundo mergulhar em mim mesmo. E uma frase que eu sempre digo é "o autoconhecimento leva ao amor próprio". Eu tive que me deparar com meus traumas, meus defeitos e minha sombra. Mas foi isso que realmente despertou minha consciência, tanto voltada pra mim, quanto voltada para o mundo, e daí que se iniciou minha teoria também. Meu despertar aconteceu com 21 anos e dizem que com 21 é quando você atinge a maturidade espiritual, sua alma termina de encarnar de vez nesse corpo. Com isso fui aprendendo o meu jeito de meditar e me apaixonei pelos insights e experiências que ela me traz (como vocês podem ver nos posts de meditação aqui: post 1 post 2 etc)

3) Oque é a alma e qual é a influência dela na nas ações e acontecimentos na vida de um indivíduo? 
Autor: @ramir_elom

Alma, pra mim, é aquilo que habita seu corpo como se este fosse um templo que existe pra receber uma alma, que anima aquele corpo e dá vida à ele. É a que carrega o seu propósito nessa vida. Então, em relação à influência nas ações e acontecimentos na vida de alguém, acredito que antes de você vir à essa vida específica, sua alma decidiu qual corpo seria, qual família, que lugar na Terra, qual karma tinha que resolver e qual propósito de evolução ela tinha que cumprir. Porém, o Todo nos dá o livre-arbítrio, que é a liberdade que temos de escolher nossa própria realidade dependendo daquilo que vibramos. Se você escolher opções que te distanciem do seu propósito, será uma vida que perderá o sentido, uma vida vazia, sem brilho no olhar (não é difícil de identificar pessoas assim), porque geralmente essas pessoas não escutaram a voz de seus corações e optaram por coisas que às vezes a sociedade demandava ou o ego clamava. As pessoas que fizeram o contrário, ou seja, as que respeitaram seus anseios e seguiram sua intuição sobre optar em fazer e viver aquilo que os animavam, enchiam de vida e dava sentido, vão entrando em consonância com o propósito de sua alma e a vida vai se desenrolando mais e mais para que isso aconteça. Como? Alguns exemplos: as "coincidências" vão aumentando, você vai conhecendo as pessoas certas, aquela oferta de emprego que você tanto sonhava chega, você encontra um amor tranquilo, pra resumir, o universo deseja que seu propósito seja cumprido porque é isso que você veio fazer aqui, mas toda decisão é sua. A escolha é sua. A alma é metafísica, imaterial e pode sair do corpo. Acredito também que exista alma em tudo que vive: animais, plantas, humanos e extraterrestres (seres de dimensões não terrenas). Também penso que cada essência é única, porém a alma pode ser velha e ter vivido outras vidas várias outras vezes, porém cada vez que essa alma vem à vida, sua essência torna-se singular, afinal: cada ser é um ser e a energia criadora divina é >criativa< e não gosta muito de repetir em suas criações hahah pura arte! Conecte sua alma com o divino e realinhe-se à sua essência!




Como se blindar de energias externas?

Boa noite, criaturas! Faz um tempo que andam pedindo que eu fizesse um post sobre essa questão de energia e bem, finalmente vou atender ao pedido de vocês! Lembrando que o que eu responder aqui é baseado no que eu acredito e estou construindo para a teoria, além das minhas experiências pessoais, mas penso que verdadeiramente pode ajudar. Depois vocês me contam!! hahah
Vamos lá, primeiro vamos pensar na dinâmica da energia. Nós vibramos. Somos compostos por átomos que vibram. Temos movimento constante enquanto estivermos vivos: a prova ta aí no seu coração batendo ou no seu pulmão se enchendo e esvaziando. Vivemos numa troca com o universo, ou seja, há uma relação entre você como indivíduo e todo o ambiente em que você está inserido. Tudo que fazemos (qualquer verbo que seja) é uma ação que possui uma carga energética, podendo esta ser positiva ou negativa. Mas então, o que define a carga energética da sua ação? Bem simples: sua intenção. Tudo o que você pensa, fala, sente, age, etc possui uma intenção intrínseca que então definirá aquela ação. A questão é que muitas vezes, a maioria delas, nós não estamos conscientes de nossas intenções. Isso se deve principalmente pelo nosso pouco conhecimento sobre nós mesmos. Vou dar alguns exemplos: quando você precisa fazer algo, mas decide fazer com má vontade, aquela ação está carregada de energia negativa e será bem difícil você fazer o que precisa, as coisas começam a travar, parece que nada está te ajudando, você perde tempo e se sente ainda mais impaciente e frustrado. Mas se você se tornar consciente da sua má vontade e compreender que aquilo precisa ser feito de qualquer jeito, qual o sentido de fazer algo sem amor? Então, você conscientemente decide fazer o que precisa com uma outra carga energética, de aceitação, e parece que tudo flui, você se empolga e acaba mais rápido do que imaginava. Este é um exemplo bem simples de como o universo responde à sua intenção. Mas isso é bem mais complexo. Às vezes, nossas ações não possuem um retorno imediato, uma resposta rápida ou algo do tipo. Às vezes, é preciso paciência porque o tempo do universo é diferente do nosso. E tudo bem. Você confia que suas ações terão sim um retorno, porque toda ação tem uma reação, independente do tempo. As ondas que liberamos para o universo e carregam certa energia, alguma hora retornará trazendo a mesma carga energética, mesmo que seja por outras ações. Por exemplo, não é porque você deu um prato de comida para alguém que necessariamente receberás um prato de comida, mas esta carga energética poderá retornar de qualquer outra forma, por exemplo como uma boa conversa com um amigo que te alimente com conhecimento para alma. Não necessariamente que alguém matou alguém, que o assassino será assassinado, mas o sofrimento causado retornará de alguma forma. 
Então, a primeira coisa que digo à vocês é: tenha consciência de qual intenção se esconde por trás de qualquer ação que você está liberando. A partir do momento que isso se torna informação, você tem o poder de escolher o que fazer com ela. 


Classifico quatro funções sobre a dinâmica da energia e vou explicá-las com um olhar para as relações humanas que é o que está em questão aqui:
  • Adicionar: você pode espontaneamente doar energia a alguém ou receber energia de alguém que está disposto a te doar. Essa doação nem sempre é consciente, mas acontece quando a intenção da pessoa é de oferecer. Oferecer ajuda, uma palavra amiga, oferecer tempo, oferecer escuta, etc... É bem fácil de pensar nessa adição quando por exemplo alguém decide te fazer carinho, e você recebe aquela energia porque a pessoa decidiu te oferecer.
  • Sugar: é quando você entra em contato com alguém que depois você se sente esgotado, como se a pessoa tivesse literalmente sugado sua vitalidade, energia, saúde, etc. Ou ao contrário, você encontra alguém que está com a energia positiva bem maior que a sua, e inconscientemente você puxa um pouco daquela energia pra você, sem que ela saiba (porque não foi ela que está te oferecendo), mas a questão é que você não se sente melhor assim, você só piora o outro. Por exemplo, você começa a reclamar insistentemente e nada do que te falem é suficiente pra resolver seus problemas, então, você continua reclamando. Consequentemente, as pessoas que estão no mesmo ambiente que você estão sendo bombardeadas pelas ondas negativas que você está liberando e com essa atitude você acaba sugando a energia positiva do ambiente numa tentativa que seu ser integral tem de se equilibrar. 
  • Neutro: é quando há uma troca recíproca. Ninguém perde, ninguém ganha, há uma troca de igualdade energética.
  • Intervir: é quando você manipula a energia de algo ou sua própria. Um exemplo bem simples: você pode manipular a energia térmica, esfregando suas mãos uma na outra e colocando sobre alguém, direcionando essa energia à ela. Ou se utilizar da energia dos quatro elementos, da natureza, da arte para direcioná-la para algum fim ou alguma pessoa.  O Reiki também é um ótimo exemplo.

A segunda dica é uma que mudou minha vida completamente. Qualquer pessoa, situação, sonho, qualquer coisa que apareça no seu universo, pare e pense: o que representa este símbolo na minha vida? Então, mesmo que apareça aquela pessoa insuportável, pare e pense o que ela pode estar significando para você... Será que ela te remete algo que você nega em si mesmo? Será que ela te remete a algo que você precisa aprender a lidar? Será que ela representa um apoio para você exercitar sua habilidade de paciência, compaixão, etc? Aí você começa a parar de absorver aquela energia e abre os olhos para como você pode se relacionar com aquele símbolo. Se você acredita que nada é por acaso, então você aceita não só as coisas maravilhosas, mas também as dificuldades, e vê nas crises uma oportunidade de evolução, pois lembre-se: toda crise gera mudança. Mudança é movimento. Movimento é vida. A vida acontece num continuum no tempo em constante evolução. Aí você tende a parar de se vitimizar pelas situações em que você mesmo se colocou, se responsabiliza pela sua energia e entende que tudo que está chegando até você é um reflexo de como você interage com o mundo.


Terceira dica: quando se sentir esgotado ou cheio de energia negativa, busque conseguir energia de forma apropriada, e não sugando o amiguinho, ok? Se não vão entrar num ciclo eterno. Quebrem o ciclo da negatividade! Para conseguir energia existem vários jeitos, um dos mais eficazes é ir pra natureza, dar uma fugidinha pro parque e contemplar à criação da energia divina, colocar o pé na areia, entrar no mar, banho de cachoeira, etc... Eu acredito que cada um possua um guia natural, que é algum elemento da natureza em que você tem mais afinidade e consegue energia mais facilmente.Como já disse aqui antes, o meu guia natural é a lua... eu sinto a luz dela entrar em minha pele e me energizar. Já conheci gente que se conecta com folhas, já conheci gente que se conecta com a tempestade, com o vento... Enfim. Outro jeito de conseguir energia é meditando, o simples fato de você estar ciente de sua respiração já te energiza. Quanto mais você medita, mais você vai mergulhando em você mesmo e se aproximando de sua essência divina que é pura energia. Quando você separa um tempo para fazer o que gosta ou não fazer nada, também é uma maneira de recarregar sua bateria. Vou ser legal e dar mais uma forma de se energizar: terapia! Quando você fala e se escuta é possível compreender coisas sobre você mesmo e se esvaziar de traumas, sentimentos e problemas que te pesam, consequentemente você se sente mais leve.


Quarta dica: uma coisa que me ajudou bastante é todo dia de manhã, antes de sair de casa, eu faço um decreto de proteção que já mencionei aqui neste post. Não necessariamente precisa ser o mesmo que eu faço, mas tire uns minutinhos para pedir proteção de energias ruins e discernimento para que você também não vibre negativamente, é muito bom começar o dia com a intenção de que será um dia bom. Uma dica que me deram é sempre procurar um motivo que te fez feliz no seu dia, mesmo que seja um sorriso de uma criança estranha, ou o semáforo fechar no momento exato que você precisa atravessar. Treine seu olhar para ver os atos de bondade ao invés de se atentar só para os problemas.




A quinta dica, e última, é a mais difícil, mas eu vou repetir eternamente sua importância: se amem! O autoconhecimento te leva ao amor próprio. Quanto mais você busca conhecer sua essência, mais você se entrega à sua autenticidade de ser e passa a respeitar todos os seres que te cercam, pois entende que neles também há uma essência única e singular. Então, num ato de amor com você mesmo, o reflexo de suas ações será amor e o que te retornará será amor também. Amem. O amor é a vibração mais alta. Só ele é capaz de quebrar as baixas vibrações de medo, de violência e de dor. O amor cura. O amor comunica. O amor integra. O amor desperta!


Espero que tenha ajudado, amores!
Uma ótima semana pra vocês <3
Evy



Feedback



Oi, criaturinhas! Eu fui olhar aqui as postagens do blog e encontrei o primeiro (e até então único) post de feedback e tinha sido escrito em 6 de dezembro de 2016. Pra vcs verem como eu enrolei, passou-se praticamente um semestre para que eu me organizasse e fizesse isso de novo. Me justifico pois este último ano da faculdade realmente me deixa sem tempo e pra fazer isso eu tenho que investir minha energia e dedicação. Mas sim, tem MUITO conteúdo de feedback que vcs me mandam. Tanto que nem conseguirei colocar tudo desses seis meses aqui de uma vez.
Primeiramente, por quê eu faço esse post de feedback? A resposta é simples: ajudar vocês. A minha intenção é que através da experiência de outras pessoas vocês possam se aproximar da espiritualidade. Segundo, pode ser que algo que eu tenha falado lá pra pessoa na hora pode te ajudar agora. Terceiro, eu sempre digo isso, mas não há nada mais prazeroso na minha vida do que ver algo que eu fiz ressoar e despertar algo em alguém que precisasse. Quarto, este blog é feito pra ser um espaço que dê voz à espiritualidade, por mais que seja a minha, vai além de mim. Atinge o coletivo, porque tudo que acontece exteriormente é um reflexo de nosso interior. Então, é o espaço da experiência de vcs também! Quinto: lembrando que quem quiser me procurar pra conversar pode ficar à vontade.

  • Aqueles textos que vêm na hora certa





Pra quem não viu, a moça estava se referindo a este post sobre a criança interior: meditação
Foi realmente um presente essa mensagem. Lembrando que toda vez que eu me referir sobre Deus pra alguém, suponho que vocês já saibam minha visão sobre o Todo/Universo.

  • Cuidando de sua espiritualidade






Espiritualidade, pra mim, é explicada de um jeito bem simples: entrar em contato com sua essência divina. Você precisa cuidar daquilo que você é, do seu corpo, alma e espírito. Pra isso, é preciso e fundamental se conhecer. Como sempre digo: o autoconhecimento leva ao amor próprio, e quando você tem amor por você, você é capaz de doar amor para o mundo. Cuidar da sua espiritualidade é lembrar de sua origem direta da fonte criadora é lembrar-se fazer parte do Todo, que tudo está conectado e que somos uma grande família cósmica experimentando a vida. Quanto mais nos conectamos com a nossa essência, mais vemos os "milagres" se concretizarem. As sincronicidades ficam mais constantes, a sua capacidade de autobservação e observação externa aumentam, você reage com menos impulsividade e com mais compaixão. Parece que cada coisa que você pensa, faz, fala passa pelo filtro da consciência antes de se tornarem ação, pois você se preocupa com qual energia vibrar ao universo, porque sabe que essa energia retornará. Cuidar da nossa energia é um divisor de águas.

  • Gratidão
  • E mais gratidão





  • E que a gratidão seja eterna. 

  • Pra resumir: eu amo vocês!


Como vocês viram, tem muita coisa e vou ter que colocar o resto em outros posts. Eu só queria dizer que às vezes me esqueço que estou fazendo algo com todo meu coração e que realmente de alguma forma isso retorna gratuitamente em forma de amor. Sou imensamente grata por cada um de vcs e tudo que vcs me dizem me faz ter mais vontade de seguir em frente nesse projeto.
Amor e luz à todos.
Bom fim de semana!
Evy





Precisamos falar sobre Temer - Parte 2


Gostaria de primeiramente agradecer a repercussão que o Precisamos falar sobre Temer - Parte 1 teve. Muitas pessoas me deram um feedback positivo e ajudaram a compartilhar. Em menos de 24 horas de post, já tivemos 250 visitas (eu considero bastante, principalmente pelo tema não ser tão "pop"). 
Começo essa segunda parte com uma pergunta: Você está desperto?
Não me diga "mas é óbvio, se eu estivesse dormindo não estaria lendo aqui". Você está REALMENTE desperto? Ou você está vivendo uma vida robotizada, entregou-se ao ócio, à falta de inspiração. Inspiração. Você sente sua respiração? Você sente seu pulmão enchendo-se de ar e realizando uma troca com o universo? Ou você acabou de perceber que tem uma respiração curta e supérflua? 
Um dos pontos centrais da teoria que estou construindo é o tempo. Pra mim, a ideia de tempo foi moldada para ser distanciada de seu caráter fundamental: o tempo é uma dimensão espiritual. E tentando explicar rapidamente alguns pontos dessa questão (porque não conseguiria explicar todas as implicações inerentes), é só pensar o seguinte: no seu sonho existe uma definição clara do tempo ou as coisas acontecem sem perspectiva de passado, presente e futuro? Pois é, nosso inconsciente é atemporal. Deram o nome de tempo para a sensação de que tudo na natureza está em movimento... Nós percebemos o ciclo das estações, percebemos o ciclo do dia e da noite, mas esse ciclo é CIRCULAR e INFINITO. Como já vimos, o círculo e o infinito são características atribuídas à totalidade divina. O movimento que sentimos é o próprio movimento da vida. Quer que eu te prove que sua vida é movimento? Põe a mão na veia do seu pescoço. O que você sente? Pulsação? E pulsação é o que? Movimento? Então existe um movimento contínuo de vida pulsando em você? Sim. E isso independe da noção de tempo. Tanto é que cada vida encerra-se num momento imprevisível. A própria imprevisibilidade é uma característica espiritual do tempo. Não sabemos qual será a ordem dos fatos, porque os fatos ainda estão para ser construídos de acordo com nossas escolhas. E enquanto você não escolher, todas as possibilidades coexistem. Louco né? Isso é física quântica. Vou mais além. O que o capitalismo prega para mecanizar nossas preciosas vidas? Dizem-nos: "tempo é dinheiro!". Transformaram o tempo em matéria. Coisa que ele nunca poderia ser. Nem faz sentido! Mas com essa ideia fixamente implantada, vivemos uma vida entregue ao trabalho, para que consigamos dinheiro e aí sim, finalmente, aproveitar a vida... Que desperdício de tempo de vida né? Reduzido à mercadoria. Não é a toa que temos mais ansiosos do que nunca! Isso tem tudo a ver com o assunto de hoje: quebra do paradigma científico moderno.
Antes só mais um parênteses, além de tudo isso, a nossa respiração encurtou assim como a nossa noção de tempo. Parece que as coisas passam mais rápido do que nunca né? E nossa respiração acaba se entregando e integrando àquela vibração de correria do cotidiano. Tudo está interligado. Acredito que inspiração é uma palavra-chave e muito bem colocada na língua brasileira:
INSPIRAÇÃOsubstantivo >feminino< (já fica a dica para um resgate da inspiração dentro de nós)
  • Estímulo; capacidade criativa dos artistas, dos escritores, dos autores, etc.
  • Iluminação; ideia repentina e momentânea, normalmente genial.
  • [Por Extensão] Algo ou alguém que inspira, que incita a capacidade de criação: ela era a musa e inspiração do poeta.
  • [Por Extensão] O efeito ou resultado do que foi criado a partir de um estímulo de criação.
  • [Religião] Sopro de origem divina que, para os cristãos, teria conduzido os escritores da Bíblia.
  • Ação ou efeito de inspirar, de deixar passar o ar pelos pulmões.

Vocês percebem como Inspiração é algo divino? Nos conecta com a fonte divina que é puramente criativa? Que nosso ato de inspirar ar é criativo, pois nos dá vida? Como anda sua inspiração?
Será que como vimos no post passado, a inspiração vem sendo reprimida juntamente com os princípios femininos e, eventualmente, espirituais?
Vamos discutir agora um breve panorama histórico sobre a quebra de um paradigma científico que predominou por quatro séculos na humanidade e claramente obteve uma influência sobre a visão de mundo do homem ocidental.
Durante séculos os paradigmas perduram, porém sempre acabam evoluindo de alguma maneira. Ideias nunca são absolutas, assim como as verdades. O ser humano está em constante mutação. Está aí nosso sentido sagrado de tempo, como um propulsor de uma evolução que é um movimento constante na vida. A evolução nunca para, corre lado a lado com a dimensão temporal. Uma palavra em específico torna-se obsoleta com essa perspectiva: conservadorismo. Hoje eu to a fim de dar aulinha de significado das palavras...

CONSERVADORISMO:
substantivo >masculino< (e a ironia é que a palavra conservador já leva um peso de uma ideologia machista né, engraçado)
Você se conservar em ideias ultrapassadas sendo que a própria sociedade evolui não faz muito sentido né? Você ser avesso a mudanças talvez mostre que haja um medo da própria vida, que se faz de eternas mudanças. Ser contrário à inovações te torna uma ovelinha de um sistema que não deseja mudar, pelo contrário, se perpetua num método falido. 
Mas, enfim.
O que aconteceu foi o seguinte: por muito tempo quem detinha o conhecimento era a Igreja Católica (e já vimos no post anterior que ela se instaurou e se edificou numa estrutura patriarcal, certo?). Para isso, o movimento científico teve de defender seus pontos de vista com ênfase, se opondo diretamente ao governo da Igreja. Consequentemente, houve uma quebra entre a religião e a ciência e uma oposição fortíssima entre espiritual x material. Diferentemente do oriente, que possui um olhar mais integrado e holístico, o nosso desenvolvimento tomou uma direção excessivamente racionalista e mecanicista. Esse método científico passou a influenciar outras áreas do conhecimento. 
"A concepção científica da realidade de caráter racionalista e dualista é fragmentária, porque separa o espírito da matéria, o corpo da alma, o objetivo do subjetivo, no entanto, foi a visão que predominou sobre a concepção intuitiva e holística. Dessa forma, criou-se um preconceito em relação a toda forma de conhecimento que não pudesse ser medido, previsto e fugisse ao controle da razão, da ciência e da tecnologia. Ficava estabelecido que o único conhecimento verdadeiro era o científico, aquele que podia ser medido e quantificado.E como consequência, os valores que permeavam o universo científico, a objetividade, a neutralidade, o distanciamento e a impessoalidade foram amplamente aceitos, e passaram também a nortear as relações humanas." (CAVALCANTI, 2004) 
Mais uma vez, um reflexo da repressão do feminino. 
Ou seja, o sentimento de separação que sempre dividia entre duas coisas opostas era um padrão, e ainda o é. Não foi só num âmbito científico que isso perdurou, nossa visão política reflete exatamente o mesmo ideal. Tanto é que, novamente vamos falar de palavras aqui, PARTIDO político só expressa nossa fragmentação como seres incompletos numa era que não suportava a totalidade. Dividiram o mundo e não a toa vieram as guerras... Guerras mundias, pois a crise era mundial. Assim como ainda o é. Crise coletiva. Crise que persistirá enquanto não vier uma mudança por completo. Toda crise gera uma mudança. Mudança é o movimento da vida. Que possamos aceitar nossas crises internas e abraçar a inovação, evolução e o desconhecido em nós mesmos. Oro para que um dia nossa política seja totalizada como nós devemos ser. Uma política para o Todo. Para a unidade que somos como vida nesse planeta.
Pois é. A ciência rechaçou tudo aquilo que não fosse observável, instaurou leis universais pra natureza e a minimizou para simples objeto de pesquisa e exploração. Nossos corpos recebiam um olhar fragmentado, cada partezinha tem um especialista diferente. Nós fomos rachados. Viramos números. Viramos gráficos. Claro que teve muito avanço, lembre-se: a evolução é uma constante! Mas toda unilateralidade leva ao desequilíbrio. E mais uma vez, além de estarmos unilaterais ao masculino, estávamos unilaterais à razão.


O homem era mais um objeto à disposição da ciência. Perdeu todo seu quesito divino e místico. Até nas religiões o sentido de uma busca interna foi se esvaindo, e passamos a intermediar nossa relação com o espiritual por objetos ou pessoas que se diziam "ter uma ligação direta". Mas todos nós temos essa ligação direta. Todos nós somos divinos por essência. Mas fomos reduzidos à maquinas. Somos massa de manobra para aqueles que estão no poder e precisam se manter lá. Não é interessante para a elite que saibamos o poder que temos. As regras de como devíamos nos portar foram aumentando, o mercado passou a ditar o que tínhamos que vestir, comer, ir. Tudo voltado ao externo, nunca ao interno. Tudo para financiar monopólios e fazer girar um papel que pouco importa, afinal é só um papel. Mas que papel poderoso né? Acabou nos escravizando.
A espiritualidade e a intuição foram sendo reprimidas, e mais pessoas iam surtando por aí. Taxados de loucos aqueles que não se encaixavam nos padrões, milhões de pessoas foram massacradas. Por um ideal de diferença de raças, milhões de pessoas foram mortas. Por uma sede de poder desenfreada, milhões de pessoas ficam adoecidas pela indústria (que polui nosso ar, água, terra, alimento, cria doenças e lucram com seus medicamentos).
"As relações do homem com a vida, com a natureza e com o outro se tornaram extremamente oportunistas e predatórias. Num mundo materialista, destituído de significado espiritual, o homem relaciona-se com a vida de forma unicamente pragmática e que exclui o sentido espiritual. Dessa forma, cria-se o sentimento de vazio interno, quando a única meta do homem é o progresso material e o alcance de status social." (CAVALCANTI, 2004)
Francis Bacon, considerado o fundador da ciência moderna, falava que "a ciência fará do homem o senhor e possuidor da natureza".(1933, p.110, apud SANTOS, 1988, p.49) Ou seja, nossa relação com a natureza virou de dominação x submissão. Essa ideia tirou todo o sentido espiritual que anteriormente a Terra tinha para nós, mas claro que ela não desapareceu, mas ficou reprimida com muita energia em nossa psique. As cidades foram se tornando cinzas e opressoras. Quem não se sente diferente quando está na natureza? A vibração é outra. As metrópoles, onde tudo foi construído pelo homem e invalida mais ainda que precisamos de um ser transcendente, são adoecedoras. A natureza cura. 


Com o crescente desenvolvimento da ciência médica, decifrava-se todos os mistérios do corpo, mas a mente ia se rebelando e as doenças psíquicas foram tomando conta.
Freud percebeu que a causa da histeria não era física, mas sim decorrente de um trauma que foi reprimido pela consciência e ficava num lugar desconhecido chamado inconsciente. Isso por si só já quebra a lógica do paradigma moderno. Porém, Freud ainda se importava em fazer da Psicanálise uma ciência e acabou se fundamentando numa lógica reducionista, onde tudo se resumia à questões sexuais. Bom, não discordo com a teoria dele de jeito nenhum, acredito que ele tenha acertado em cheio em consonância com o contexto em que ele vivia. Freud viu que a sexualidade reprimida era devastadora e tinha razão. Contudo, Jung foi além. Não só existia um inconsciente pessoal, que continha nossos traumas egóicos, memórias, etc, como também, um inconsciente coletivo. Já expliquei isso pra vocês no post anterior (quem não sabe vai lá ver haha)
Jung, um pensador vanguardista, se encaixava mais numa visão de outro paradigma que não fosse o positivista (o pós-modernismo). Claro que ele respeitava e produziu ciência, mas de uma maneira diferente.
Jung anunciou conceitos novíssimos como o da sincronicidade e o Self. 
Sincronicidade é aquele momento que alguém te fala exatamente o que você precisava ouvir, ou você encontra alguém que estava pensando há segundos atrás, ou quando verbalizam algo que você acabou de pensar, etc... É aquele momento que te dá um pane e fala EITA, QUE COINCIDÊNCIA IMPRESSIONANTE! Sincronicidade são acontecimentos que se relacionam não por relação causal e sim por relação de significado. Ou seja, não é mera coincidência jogada ao acaso, mas possui um sentido para aquilo, um significado. Esse conceito, então, já quebra uma relação importante do positivismo que é a causa-efeito.
Já o Self, seria um conceito da totalidade da psique. Ele é o todo, tanto o inconsciente como a consciência. Tanto o feminino quanto o masculino. Ele suporta todas as contradições, pois as transcende. Ele seria o arquétipo de Deus. O Self, por ser também um arquétipo, expressa-se através de símbolos que se repetem em qualquer mente humana. Por isso em diferentes tribos em qualquer lugar do mundo, tinha uma urgência em criar uma religião que manifestasse esse princípio divino. Muitas vezes, Deus era representado com um círculo (mandalas, tao, uroboros, etc), ou como uma cruz (que representa os dois opostos - vertical/horizontal - terreno/divino - morte/ressurreição), como a geometria sagrada (baseada também na proporção áurea), como a árvore central que ligava o mundo dos homens ao mundo dos deuses, e muitos outros símbolos.




Ué, então Jung trouxe uma aproximação entre a espiritualidade e a ciência? Sim! Através principalmente do estudo dos símbolos e da ideia de que a psique tem como a meta a individuação, que possui um caráter transcendente. E além disso ele formulou um conceito que era mais de uma coisa ao mesmo tempo? Pois é, mas ele não foi o único. 
Pra sua surpresa, ao mesmo tempo que Jung fazia suas descobertas psíquicas, na física houve uma revolução: a física quântica. 
Ela possui basicamente quatro princípios (só um adendo: o 4 como símbolo tem um sentido de totalidade, como a integração dos 4 elementos).
  • Heisemberg, foi o criador do Princípio da Indeterminação ou da Incerteza, que mede o grau de influência do cientista sobre o fenômeno observado, no próprio processo de mensuração. Com este princípio ele derrubou um dos parâmetros da ciência ortodoxa, a neutralidade do observador (Capra, 1990, p. 15). Ou seja, havia uma relação entre a nossa psique e sua influência no mundo externo que não poderia ser negada.
  • O princípio da exclusão de Pauli basicamente explica que cada elétron tem uma função no todo da partícula, e que se um deles for retirado, há um desequilíbrio atômico. Nos remete a ideia de que cada ser único mantém a lógica do Todo. Assim como Jung descrevia sobre a individuação, que é tornar-se o si-mesmo, algo muito único e particular do ser.
  • O princípio da complementariedade diz que a soma de duas realidades mutuamente excludentes tem efeito sinergético, expresso na formula 1+1> 2)
"O físico David Bohm propôs uma visão do cosmos que pressupunha o inter-relacionamento de tudo em um nível profundo, que chamou de ordem implicada, ou implícita. Segundo a sua teoria da “totalidade interrupta”, haveria um fluxo universal no qual a mente e a matéria não eram substâncias separadas, mas sim aspectos diferentes de um mesmo movimento. Segundo Bohm (1994, p. 177), “[...] a Mecânica Quântica sugeriu que o mundo não pode ser analisado em partes que existam separadas e independentemente. Além disso, cada parte, de certa forma, envolve todas as outras, contendo-as ou desdobrando-as dentro de si." (CAVALCANTI, 2004) 
  • Schröedinger, famoso pelo seu gato na caixa, diz sobre a superposição de estados quânticos, que basicamente são duas possibilidades ocorrendo simultaneamente (o gato está vivo E morto) e somente quando há um observado é que uma das possibilidades se cumpre (o gato está vivo OU morto). Assim como o experimento feito com a luz, que se comportava tanto como partícula como onda! Ué, então a luz era duas coisas ao mesmo tempo? Mesmo sendo duas coisas opostas? Assim como o Self? UAU 
Só uma reflexãozinha do Schröedinger (1964, p. 21) pra deixar pra vocês: “Embora se configure inconcebível para a razão comum... você e todos os demais seres conscientes estão integrados reciprocamente. Portanto, esta sua vida atual não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido, é o Todo... Assim, você pode se lançar ao chão, espraiado na Mãe Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo”.
Além disso, na física quântica também obteve-se a questão sobre a não-localidade dos eventos, que vai de encontro ao conceito de sincronicidade proposto por Jung.
Dito tudo isso, por mais que pareça estranho, aquele velho paradigma baseado exclusivamente na razão vem se enfraquecendo. A pós-modernidade comporta a diversidade, a visão holística, a incerteza, o desconhecido e a totalidade.
Precisamos falar sobre Temer, porque o Brasil anda seguindo um rumo contrário ao progresso. Que ordem? Que progresso? O Brasil é o berço da diversidade! Nós podemos e devemos sim revolucionar aquilo que precisa ser revisto, ressignificado e redirecionado! Vamos continuar com uma postura de exploração aos recursos naturais? Nós precisamos despertar nossa consciência de que temos a maior floresta tropical do MUNDO que está sendo completamente devastada a cada minuto que se passa. É da gente, povo brasileiro, que tem que vir a mudança! Não estamos cansados de sermos tratados como máquinas? TRABALHE! Diz Temer. TRABALHE ATÉ MORRER diz a reforma trabalhista. TRABALHE LOGO diz a reforma da educação que já prepara adolescentes a cursos técnicos sendo que eles estão no turbilhão que é descobrir sua identidades pessoal, quem dirá identidade profissional. A ECONOMIA PRECISA CRESCER isso é óbvio, mas será que esta é a única meta essencial e tão urgente da nossa sociedade? Se eles não roubassem todo nosso dinheiro, imagina o quanto não poderia ser investido para a nossa qualidade de vida? O que adianta ser 9ª economia mundial (dado de 2016) e 79º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano? (dado 2017
Me diz se a gente não precisa realmente rever nossos valores? Andar pra frente, olhar pra dentro.
Mais uma vez estamos nos dividindo em dois grupos opostos que brigam constantemente e não dão voz ao interesse comum. Agora é o momento. NINGUÉM quer esse governo lá! Ninguém quer ser conivente com o golpe! Ninguém quer bandido fazendo o que quiser com o dinheiro público. Está na hora de colocar nossas diferenças de lado.
Espero que tenha sido esclarecedor. Doei muito da minha energia pra escrever tudo isso pra vocês, mas sei que vai valer a pena. Se uma pessoa se sentir tocada e INSPIRADA pelo meu texto, eu já terei feito algo significativo.
Obrigada por sua leitura!
Evy

Referências: CAVALCANTI, R. O retorno do conceito do sagrado na ciência. In. Teixeira EFB, Muller MC, Silva JDT (Orgs.). Espiritualidade e qualidade de vida. Porto Alegre: EDIPUCRS; 2004.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pós-moderna. Estud. av.,  São Paulo ,  v. 2, n. 2, p. 46-71,  Aug.  1988 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141988000200007&lng=en&nrm=iso>. access on  21  May  2017.  http://dx.doi.org/10.1590/S0103-40141988000200007.

Precisamos falar sobre Temer - Parte 1

Isso mesmo. Precisamos falar sobre Temer, sobre temer, sobre ter medo.
O que está acontecendo é uma crise. Uma crise não só brasileira, mas global. De um sistema falido, de princípios distorcidos e de uma vida robotizada.
Vou falar de duas questões principais nesta crise: um panorama histórico sobre as eras e os gêneros na humanidade e de um paradigma que perdurou por quatro séculos e continua enraizado em nossa sociedade.

  • O GÊNERO NA HUMANIDADE
Sob a perspectiva da psicologia junguiana, irei expor uma discussão sobre gênero na sociedade e explicarei alguns conceitos fundamentais de Jung para vocês entenderem.
Um dos conceitos essenciais da psicologia analítica é o inconsciente coletivo. Ele seria uma camada mais profunda da psique, iria além do inconsciente pessoal, aquele indentificado por Freud e sua teoria. 
O inconsciente pessoal conteria aquilo que foi reprimido pela consciência daquele indivíduo específico, o sujeito é quem o desenvolve à partir de sua história pessoal. Então tem suas memórias, traumas, sentimentos rejeitados, etc. Já o inconsciente coletivo é pertinente à espécie humana, é uma sedimentação milenar da nossa experiência, uma herança espiritual da evolução da humanidade.
Os arquétipos são imagens primordiais contidos no inconsciente coletivo, conteúdos simbólicos, as formas mais antigas e universais da imaginação humana. Eles tendem a reproduzir ideias e experiências humanas gravadas no inconsciente coletivo, continuamente revividas pela alma. São moldes inerentes ao ser desde o princípio da existência, os quais têm a função de atuar como fonte primordial para o amadurecimento da mente. Manifestam-se por meio de processos energéticos no interior da psique, expressando-se principalmente nos sonhos com uma linguagem simbólica.
Os mitos são compreensões intuitivas do mundo, podendo ser considerados como sonhos coletivos e também expressam funções arquetípicas. Não é a toa que vários mitos repetem-se em diferentes povos em sua fundamentação, como os mitos sobre heróis. 
A cultura é obviamente influenciada pela psique, sendo um resultado de dinâmicas arquetípicas daquela sociedade. É a relação estabelecida entre a consciência e o inconsciente que define o caráter de uma fase cultural.

Hermafrodita
Entendendo isso, podemos então prosseguir para um panorama histórico da questão de gênero na humanidade, utilizando de alguns mitos para justificar a fase cultural daquele contexto e pensamento.
O mito do Andrógino de Platão conta que no início de tudo, o primeiro ser era andrógino, contendo ambos os sexos. Os deuses, entretanto, possuíam inveja do seu poder e decidiram cortá-lo ao meio. Cada parte procurou sua metade perdida eternamente para se sentir inteiro novamente. Ou seja. primordialmente, o ser é total, inteiro. Contém e sustenta tanto o feminino quanto o masculino. Não existia o outro, só a própria integração. Quando foram divididos, o sentimento de separação e diferenciação foram enormes. O vazio tomou conta e sempre lhe faltava a outra parte. Ficou então desconhecida a coexistência dos princípios opostos dentro de si e cada vez mais, o sentido de o que é feminino ou o que é masculino ficavam mais separados e distantes. 
Para Jung, a psique é assim: contém a totalidade da integração dos opostos. Nosso ser é fundamentalmente masculino E feminino. e não OU um OU outro. O Self, que é a nossa essência, o Si-Mesmo, é justamente o Todo. Porém o ego cria a ilusão de separação. Principalmente se nosso ego cresceu e está inserido numa sociedade unilateral.
Tao/ Yin-yang

  • ERA DA GRANDE MÃE
O humano primitivo era imerso no inconsciente. A consciência estava se diferenciando e o ego tinha uma estrutura pouco desenvolvida. Nessa época, existia um predomínio do princípio feminino. Sim, já houve uma época que o feminino prevalecia na sociedade. A uruboros era uma representação simbólica essencial para ilustrar essa fase, pois a cobra engolindo o próprio rabo simboliza o círculo. Círculos não possuem lado. O Self também é representado pelo círculo, assim como o Tao. O círculo é exatamente esse movimento de integração e totalidade:
 
Uroborus
Era a representação dos pais primordiais, da junção entre o feminino e o masculino. Tem um caráter transcendente e divino. 
O arquétipo da Grande Mãe prevalecia e era ligada a uma força criadora e de vida. A mulher era vista como aquela que dá a luz, dá a vida e tem ligação direta com o divino. Todos da tribo eram vistos como iguais. Os homens eram irmãos e só se relacionavam com mulheres de outras tribos. As crianças eram vistas como presentes espirituais. A sociedade basicamente funcionava na coletividade, e não no individualismo como hoje. A Grande Mãe era vista como a própria natureza. Todos eram filhos de Gaia, aquela que lhes dava alimento, abrigo e a vida. A mulher cuidava da agricultura por essa ligação mais próxima com a natureza. O sangue menstrual e o sêmen eram jogados na terra como um ritual para fertilidade e colheita dos frutos. A sexualidade possuía uma dimensão sagrada. O sexo era feito sobre a terra para simbolizar a integridade cósmica da união entre aqueles seres. O homem era encarregado de fertilizar o útero, colocar suas sementes, enquanto a mulher era a que gerava vida.


Porém, o homem acabou ficando encarregado das caças e foi aumentando sua sede por competição. O Deus masculino vai ganhando mais força e transformando algumas relações até então estabelecidas. 
No Egito, Osíris passou a ser o senhor da agricultura e Ísis sempre aparecia atrás de sua figura. 
Na Grécia, Zeus e Hera passam a ter uma relação não igual. Hera é vista como a deusa do matrimônio, do ciúmes e da maternidade, características que foram tomando a forma do conceito de feminino e uma separação entre a força, domínio e poder que o masculino ia desenvolvendo.
Houve, então, uma interação entre duas forças opostas complementares, que cria a dualidade e o sentimento de separação. O sentido de totalidade e integração vai se perdendo. 
Nos mitos, passa a ser exaltada a figura do herói, um desejo masculino pela supremacia, competitividade e o feminino vai se reduzindo a simplesmente procriação. 
Essa dualidade, separou não somente o feminino do masculino, como também, a alma e o espírito, o ser humano da natureza, a razão e o sentimento... mas, o feminino foi tendo sempre um caráter inferior e foi se reprimindo. Aí começou a era do Pai.

Zeus e Hera

  • A ERA DO PAI
Muita gente não sabe, mas a primeira mulher de Adão foi Lilith. Essa história não entrou na bíblia e vocês vão entender o porque, de acordo com a força do patriarcado.

“Mas, diferente de Eva, ela queria ser uma mulher com os mesmos direitos que o homem. Então, começa a questionar Adão sobre o motivo de ter que se submeter às vontades dele: “(...) – Por que devo deitar-me embaixo de ti? Por que devo abri-me sob teu corpo? Por que devo ser dominada por você? Contudo eu também fui feita de pó e por isso sou igual (Sicuteri, 1998, p. 35 apud Menezes, 2003)”.
Lilith
Sim, meu querido leitor. Lilith era uma feminista que clamava pela igualdade e se rebelou contra a submissão imposta pelo masculino. Vocês entendem porque ela não entrou na bíblia na revisão da Idade Média? Os homens tinham medo de que Lilith fosse uma influência para que as mulheres se rebelassem. A imagem de Lilith passou a ser de demônio, ameaça, sombrio. 
As caças às bruxas foi um massacre as mulheres que se rebelavam, eram independentes e auto-suficientes. A consciência patriarcal queria reprimir a mulher de qualquer forma. Havia uma necessidade da invalidez do feminino e da própria natureza, que passou a ser vista para ser explorada, usufruindo de seus recursos. Lilith era associada a saliva e sangue, que seriam o desejo sexual da mulher e sua menstruação (uuuu super demoníaco).
Eva podia ser aceita, afinal, ela não veio diretamente do Criador, mas da costela do homem. Mais uma desculpa para a imposição da obediência e subordinação. E coitada da Eva né, tão ingênua caiu no conto da Serpente. E adivinhem quem é idenificada com a serpente? Isso mesmo, a própria Lilith. O feminino era tudo de ruim: o demônio, o fracasso, a fragilidade, a caída no pecado, a expulsão do paraíso... Assim fica fácil de os homens governarem, né?
Adão e Eva
A autoridade do pai foi ganhando mais espaço. Deus era o pai supremo, criador onipotente e totalmente masculino. A estrutura social passa a girar em torno da figura do pai e de seu poder. O mundo ia sendo dividido em opostos hierárquicos. 
“Já não era mais a fecundidade do solo a fonte de toda a vida e de toda a criatividade, mas o intelecto que criava as novas invenções, a técnica, o pensamento abstrato e o Estado com suas leis. Não era mais o ventre materno, mas o próprio espírito que passava a ser o poder criador e, desse modo, não eram mais as mulheres, mas os homens que dominavam a sociedade (Rinne, 1999, p. 55 apud Menezes, 2003)”.
E o feminino cada vez mais reprimido... O casamento era um arranjo onde a mulher passava do poder do pai para o poder do marido como simples propriedade.
O pai, até mesmo na teoria Freudiana, é a figura central que estabelece a ordem e a imposição de limites. É aquele que separa o filho da mãe. É um símbolo estruturante no desenvolvimento da personalidade do ego. E sim, o ego foi criando mais forma: uma forma masculina de ser. O inconsciente foi identificado com o princípio feminino, que consequentemente, acabou se tornando desconhecido, monstruoso e aterrorizante para aqueles que não deixavam o feminino vir à tona. Tão inconsciente que fica quase impossível responder "o que é ser mulher?". Ser mulher numa sociedade patriarcal só é definido sob uma lente masculina. Foram os homens que definiram nossos papeis e o que deveríamos fazer, falar, sentar, nos portar, estudar... Ah, estudar não podia, porque a mulher era vista como intelectualmente inferior e isso obviamente influenciou no seu distanciamento de exercer a cidadania. Ser mulher era bem simples: só podia ficar dentro de casa realizando tarefas domésticas, tinha que ser boa esposa e claro, boa mãe. Vocês vêem como o feminino foi reduzido? A totalidade do ser mulher foi completamente fragmentado. 
O feminino, o útero, o ventre, o vazio, o poço sem fundo e o inferno eram sinônimos. 
“E como acontece com qualquer emancipação, a supremacia da consciência do ego sob o inconsciente levou ao extremo a sua posição e dos valores próprios, ocasionando a superestimação do masculino, a megalomania da consciência do ego e a desvalorização, seguida da repressão do seu lugar de origem, ou seja, do inconsciente feminino.”(Neumann, 1995 apud Menezes, 2003).
Além de tudo isso, como se não fosse o bastante, a sexualidade para a mulher foi completamente reprimida. Mulher não podia ter desejo, não era digna de prazer e só era feita pra procriar. A imagem de Maria como a virgem que teve o filho de Deus reforçava essa ideia e as mulheres foram adoecendo, como Freud mesmo viu na questão da histeria. A repressão sexual comprova o poder fálico.
Com tanta coisa acontecendo, as mulheres tentaram reagir. Queriam o direito de trabalhar e não serem apenas mães. Para entrarem no mercado de trabalho, precisavam renegar sua feminilidade, mesmo assim eram exploradas, tinham baixos salários e eram mal vistas pela sociedade por mancharem a imagem do marido de único provedor da casa.

A pílula anticoncepcional surgiu e ajudou as mulheres nesse processo. Elas finalmente tinham domínio sobre sua fecundidade e poderiam exercer a liberdade sexual. O sexo não era só mais pra procriação, a maternidade foi perdendo seu caráter sagrado. E assim, o casamento poderia ser escolhido pelos fundamentos do amor e não mais de contratos. O movimento hippie ajudou muito nessa nova consciência que quebrava vários padrões.
A exacerbação do princípio masculino criou uma unilateralidade para apenas um dos polos e dificultou a integração do ser humano como todo. Tal unilateralidade levou ao avanço da razão, busca pelo material, avanço científico, reducionismo na ciência, dualidade política, guerras por supremacia, exploração da natureza, desvalorização da intuição, da espiritualidade, do misticismo, dos sentimentos, da ética, etc.
As mulheres para se adaptarem a esse mundo, tornaram-se masculinizadas, sem que os homens se feminizassem. Ou seja, reforça a unilateralidade do masculino. As mulheres tentam se igualar aos seus dominadores, sem que haja um resgate do próprio feminino individual. Houve uma dilaceração do feminino. Começaram a brigar pelo poder e por uma igualdade mal compreendida. Algumas reprimiram tanto o feminino que sentiam medo de engravidar e perder seu poder, sua razão, e acabavam somatizando em seus úteros com câncer, cisto, etc (sem generalizar). 
“E exatamente por faltar parâmetros femininos de vida autônoma e com liberdade, resta a mulher, como opção, a imitação do que se conhece: o estilo masculino de vida.” (Strey, 1997 apud Menezes, 2009).

O movimento obviamente trouxe avanços. As mulheres podiam agora trabalhar, votar, estudar em ensinos superiores, etc. Mas a mudança no coletivo, não foi uma mudança individual. Por isso ainda gera tanto conflito. Os homens não aceitam seu próprio feminino e as mulheres ficam alienadas de si mesmas e de sua totalidade. 
Então o que precisa ser feito?
  • NOVA ERA? 
“(...) Provavelmente a humanidade nunca tenha estado numa posição tão privilegiada como agora; há a disponibilidade de uma idade de ouro de poder mecânico e a possibilidade de uma nova era no sentido dos valores femininos. Estabelecer uma base para o lazer, que o mundo moderno oferece a um grande número de pessoas, foi uma realização nobre. Acrescentar os insights femininos é o próximo passo. (...) Estamos na crista da onda onde o melhor dos dois mundos pode ser conseguido se formos suficientemente sábios (...) (Johnson, 1991, p. 95-96 apud Menezes, 2009)”.
É necessária uma revolução em ambos os sexos. Jung já dizia:
“ um homem deve adotar uma atitude feminina, enquanto uma mulher deve combater seu animus, uma atitude masculina (…)”  (McGuire, Hull, 1984, p. 42)
Ou seja, numa sociedade onde o feminino é reprimido, os homens precisam trazer à luz sua Anima (arquétipo do feminino), assumirem que também são sensitivos, intuitivos, espirituais e possuem alma além de um corpo meramente material. Enquanto a mulher precisa combater seu Animus (arquétipo do masculino) que já nos rege por tanto tempo de tanto reprimirmos nossa feminilidade. 
Precisamos, nós mulheres, tirarmos da sombra nosso lado feminino que foi demonizado.
“Aceitar a porção feiticeira é aceitar a si mesma, a sua própria escuridão, os sentimentos de rejeição e de vingança. Cuidar de si mesma é aceitar a beleza e o horrível da condição de ser mulher. Permitir o contato real com o Feminino é adentrar no universo da Lua Negra e permitir ser no mundo o verdadeiro Eu, curando o coletivo da doença que a unilateralidade do masculino causou a humanidade.” (SILVA, p.29, 2014)
As faces da Deusa
É preciso um casamento alquímico entre nós mesmos. Aceitarmos que somos seres íntegros, integrados e inteiros. O casamento da lua e do sol precisa acontecer individualmente para que se reflita no coletivo. Até nossas relações amorosas mudariam seu caráter:
“Somente quando cada um reconhecer o que possui escondido dentro de si, poderão se ver como indivíduos inteiros e se relacionar como um indivíduo e não como uma metade em busca de outra.” (Muraro& Boff, 2002 apud Menezes, 2009).
Deixaríamos de buscar tanto no outro a nossa metade quando nos vemos como inteiros. O amor seria recíproco e complementar. 
O cultivo da vida interior também é uma característica feminina que precisa ser mais exercida. Jung diz que todo humano tem como meta a individuação, que é tornar-se o Si-mesmo. Nós vivemos para sermos nossa essência, e é isso que importa. O gênero é apenas uma construção social que tomou muita proporção e acaba sendo o foco central de adoecimento de muitas pessoas. Amores, nós somos quem somos, e não são rótulos que vão nos definir. Nós temos o potencial de sermos o que quisermos. Apenas seja!

Deus também poderia tomar seu lado feminino, aquele da Grande Mãe que foi rejeitado. A energia essencial criadora de tudo que existe. A natureza em seu esplendor e que anseia por uma ligação com a humanidade, porém vem sofrendo fortes ataques por uma sociedade capitalista e exploradora.
“ Todos os desenvolvimentos futuros, a partir de agora, precisam ser abordados da perspectiva de ambos os sexos, porque homens e mulheres são igualmente importantes para o fazer da história. A esperança para o futuro, assim como o triunfo do passado, estão na cooperação e na reciprocidade de mulheres e homens.”(Menezes, 2009)
Se no princípio, no homem primitivo predominava o inconsciente, no homem moderno predominou-se o ego. O egocentrismo e o individualismo leva-nos às ruínas. Não reconhecemos o outro como parte de nós e projetamos nele tudo aquilo que reprimimos em nós mesmos. Não reconhecemos nossa unidade coletiva, porque mais nos interessa nosso mundinho particular. Até onde isto está nos levando?
A evolução não para e uma evolução consciente já está acontecendo. As pessoas estão despertando, e provavelmente você que veio parar no meu blog também está. Estamos vivendo um momento de transição, pois repito: toda crise gera uma mudança. Estamos em crise. Qual mudança vibraremos?
A globalização suporta a diversidade, pluralidade e a incerteza. É necessária uma quebra de paradigmas, até científicos, que também falarei na segunda parte deste post. 
Para concluir, o que isso tem a ver com o Temer?
Verbo temer: medo, receio, pavor, terror.
Precisamos parar de temer.
Por muito tempo, tememos o feminino. 
Temer é o registro de um governo completamente masculino, que derrubou inescrupulosamente o primeiro governo feminino do Brasil, o rechaçou, o desmoralizou. Seus escolhidos são homens, brancos, héteros, conservadores, um retrato do patriarcado. Temer se preocupa mais com a economia do que com os problemas gritantes na nossa saúde e educação. Mas é por falta de dinheiro? Se fosse, o dinheiro nos falta porque esses políticos roubam um valor incalculável de nossos cofres. Nós pagamos nossos impostos. Mas e as indústrias e empresas que financiam esses políticos? Sonegam milhões de reais. O egocentrismo e a ganância consomem, corroem essas pessoas. São eles que deveriam nos representar?
O Brasil é um dos que mais matam mulheres, mais estupram e mais agridem. Será que isso não é um reflexo de como a massa de manobra é induzida à ignorância? O movimento feminista no Brasil vem crescendo e reagindo, ainda bem, mas como vimos, ALGUMAS mulheres estão se masculinizando, usando da força e violência para conseguir notoriedade. Lembrem-se: o único sangue que não escorre pela violência, é o da menstruação!
A busca pela totalidade interna é um dever de cada ser e só assim poderemos vibrar um coletivo mais igualitário e holístico.
No próximo post explicarei mais sobre o paradigma científico moderno, como ele também nos influenciou e como está se dando sua queda.
Espero que tenham gostado! Podem me procurar pra conversar sempre!
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Referências:
§MENEZES, R. O feminino reprimido: um estudo junguiano sobre a feminilidade. Centro Universitário de Brasília, nov. 2003. Disponível em: http://repositorio.uniceub.br/bitstream/123456789/2853/2/9908020.pdf. Acesso em: 10 de maio de 2017.
§SILVA, A. A lua Negra: o lado sombrio do Feminino. Faculdade Monteiro Lobato. Porto alegre. 2014. Disponível em: http://www.ajb.org.br/congresso/uploads/anais/anais%20-%20posters/A%20LUA%20NEGRA%20o%20lado%20sombrio%20do%20feminino%20-%20Andr%C3%A9a%20Ventura%20da%20Silva.pdf Acesso em: 10 de maio de 2017.




 
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